Radar agrometeorológico: chuvas ganham força no Sul, enquanto Centro-Norte segue com solo seco

Chuvas aumentam no Centro-Sul, mas distribuição segue irregular no Brasil

A última atualização do Radar Agrometeorológico da Ampere, emitida em 29 de setembro, reforça um cenário de forte contraste hídrico no país. Enquanto o Centro-Sul recebe novos episódios de chuva, áreas do Centro-Norte ainda enfrentam baixa disponibilidade de água no solo.

Nos próximos sete dias, a previsão indica potencial para tempo severo no Centro-Sul. Ao mesmo tempo, as áreas centrais do Brasil devem registrar chuva de forma mais irregular.

Esse padrão é especialmente importante para o setor agrícola. Afinal, a distribuição da chuva neste início de primavera influencia diretamente o avanço do plantio e o desenvolvimento inicial das culturas.

Solo ainda está muito seco em áreas produtoras

O cenário de umidade do solo continua bastante desigual. No MATOPIBA, em Goiás, Mato Grosso, Pará e no norte de Minas Gerais, o armazenamento de água permanece abaixo de 20%. A mesma condição aparece no norte de Mato Grosso do Sul.

Por outro lado, parte do Sul e do Sudeste apresenta situação mais favorável. Áreas do norte do Paraná, leste de Santa Catarina, sul de Mato Grosso do Sul e sul e oeste de São Paulo registram armazenamento acima de 60%. O leste e o sul do Rio Grande do Sul também apresentam melhores condições.

Ainda assim, alguns pontos do noroeste gaúcho, oeste catarinense, sul do Paraná e sul de Minas Gerais permanecem em situação de atenção. Nessas áreas, o armazenamento está abaixo de 60%.

Cenário exige atenção para o plantio da soja

De acordo com a análise agrometeorológica, Mato Grosso, Goiás, MATOPIBA e Pará devem enfrentar condições menos favoráveis ao desenvolvimento das culturas. O principal motivo é a combinação entre o cenário hídrico e as temperaturas previstas. Dessa forma, o plantio da soja pode encontrar maiores limitações nessas áreas.

Em contrapartida, o Sul, Mato Grosso do Sul e partes do Sudeste apresentam condição hídrica mais adequada. Portanto, essas regiões tendem a encontrar ambiente mais favorável ao desenvolvimento agrícola no curto prazo.

 

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Figura 1. Últimos 7 Dias: Chuva e Temperatura.

 

Para a agrometeorologista Amanda Balbino,

“O acompanhamento conjunto da chuva, da temperatura e da água disponível no solo é fundamental neste momento. Esses fatores ajudam a identificar áreas mais favoráveis e regiões que ainda exigem cautela nas decisões de campo.”

Sul terá novos episódios de tempestade

Além dos impactos agrícolas, o Sul merece atenção por causa do risco de eventos severos. A Figura 2 aponta condições para tempestades em 30 de setembro, 3 de outubro e entre 5 e 6 de outubro.

 

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Figura 2. Previsão de chuva para os dias entre 30/09 e 06/10.

Com isso, o produtor deve acompanhar não apenas os volumes acumulados. Também é importante observar a distribuição diária da chuva e a ocorrência de eventos intensos. Esses episódios podem alterar rapidamente as condições das lavouras e das operações de campo.

Assim, o início de outubro deve manter um cenário de forte contraste entre o Centro-Norte e o Centro-Sul do Brasil. Enquanto algumas áreas avançam para uma condição hídrica mais favorável, outras ainda dependem de chuvas mais regulares para recuperar a umidade do solo.

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