Primavera marcada por contrastes na distribuição das chuvas no Brasil

Introdução

Embora setembro marque o início da primavera meteorológica, a nova estação começou oficialmente, do ponto de vista astronômico, na última terça-feira, 22 de setembro, às 21h05 pelo horário de Brasília.

 

A chegada da primavera marca também a transição para o período mais chuvoso em grande parte do Brasil. No entanto, neste ano, essa mudança deve ocorrer de forma irregular e com diferenças importantes entre as regiões, influenciada principalmente pela atuação do El Niño, que pode atingir a categoria muito forte até o fim da estação, além de interações com outros padrões de circulação atmosférica e oceânica.

 

Climatologicamente, o final de agosto e o início de setembro marcam o surgimento das primeiras precipitações associadas ao Sistema de Monção da América do Sul (SMAS) entre a Colômbia, Venezuela e o noroeste do Amazonas, como mostra a Figura 1.

 

Figura 1. Climatologia de radiação de onda longa emergente (OLR) de 220 W/m². Fonte: Silva e Kousky (2012). 

 

Entretanto, neste ano, a circulação associada ao ramo subsidente da célula de Walker, em resposta ao El Niño, tem contribuído para suprimir a evolução das precipitações associadas ao SMAS. Esse comportamento pode ser observado na Figura 2, que apresenta anomalias de radiação de onda longa associadas a uma menor atividade convectiva ao longo do mês de setembro em relação ao padrão climatológico esperado.

 

Figura 2. Campo observado de anomalia de radiação de onda longa emergente entre os dias 1 e 20 de setembro de 2026. Tons esverdeados representam mais nebulosidade e chuva, enquanto tons marrons sinalizam menor nebulosidade. Fonte: Ampere Meteorologia. 

 

Conclusão

Segundo a meteorologista da Ampere Patrícia Cassoli:

“As previsões indicam chuvas acima da média no Sul, enquanto parte do Centro-Oeste, Norte e Nordeste tende a apresentar precipitação abaixo da climatologia. Em relação às temperaturas, há possibilidade de ondas de calor, especialmente entre novembro e dezembro.

No Centro-Oeste, o sinal de déficit pode ganhar intensidade e abrangência ao longo da estação, especialmente na faixa norte, indicando uma retomada mais irregular do período chuvoso.

 

Já no Sul, a maior frequência de eventos de chuva deve manter os volumes acima da média, com possibilidade de ocorrência de tempestades severas, elevados volumes de chuva em curtos períodos, queda de granizo e eventuais formações de tornados.

 

Na Região Sudeste, o destaque fica para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, que podem sofrer maior influência de sistemas transientes, contribuindo para uma estação mais úmida que o normal nessas áreas.

 

Esse contraste no comportamento das chuvas deve trazer impactos distintos para setores como o agronegócio e a geração de energia. Enquanto a irregularidade das precipitações no Centro-Norte pode trazer desafios para o estabelecimento das lavouras de verão, a maior disponibilidade hídrica no Centro-Sul tende a favorecer a recuperação dos reservatórios.

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